Cochichos e Relaxos


06/02/2004


Linhagens sem padronagem!!!!

Meu caro diário. Outra doida se foi pelo visto, pelo sentido, pelo comentado.
Coincidências, mas escrevia sobre o Paulo e dias depois perdemos a Hilda.
Sabe... não conheci a Hilda e por isso não vou aqui ficar falando que a poesia dela era genial, etc e tal.
Nas entrevistas e fragmentos que li deu pra perceber que ela era da mesma linhagem do Paulo.
Doida, louca e lúcida.

Mas não confundam linhagem com padrões rígidos e pré-estabelecidos. A linhagem quer dizer a nobreza e a radicalidade de viver uma vida singular, sem temer os julgamentos provincianos.

Deve ser muito bonito quando, no fim da vida, por um momento fugaz ela olha pra trás e descobre a sua trajetória simgular: errante e densa. A densidade não formal ou de face contraída, a densidade que é como um chicote, sempre pronta a golpear o cavalo da vida, para instigá-la ao seu máximo grau.

Hilda e Paulo morrem. A linhagem permanece!!!! Ainda bem!!!

Escrito por Jiló às 13h11
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03/02/2004


Pau no Paulo

Dia monótono e céu cinzento. Apenas quando há essa banal combinação, lembramos da chatice e da caretice que nos cercam. O hábito vence sempre. O hábito esmagador sempre nos contamina e nivela. Todo hábito é esmagador. O céu azul celeste numa ilha perdida no Pacífico também pode ser cenário de um hábito esmagador.

Então me lembro do Paulo que se foi: o Leminsky. Polêmico, algumas vezes equivocado, mas que tinha o extraordinário poder de sacudir o pó que nos assola. Jamais com polêmicas vazias ou baratas. Ele sacode com pólens de sua vívida poesia.

O Paulo tem de ser morto à pancadas, prensado e repensado. Só assim, sentimos, libertos de mitologias românticas de gênios da literatura, a força de sua poesia, pólem pra nenhuma primavera-margarida-verão-incadescente-inverno-cinzento-outono-em-tons-pastéis botar defeito!

 

Escrito por Jiló às 17h13
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