“Eu me sinto agora completamente solitária e vazia...sem ninguém...” diz num tom confessional. Parece que eu tive de chegar a este estado para sentir a tua falta. Eu tive de me esvaziar completamente, esvaziar o mundo inteiro que no fundo sempre esteve entre nós para chegar a brilhantíssima conclusão que eu ainda sinto a tua falta. E sinto com uma tal intensidade que é como se tivessem arrancado quase totalmente a alma pela minha boca. Ah, se eu pudesse jogar no lixo todas as ceninhas ridículas que eu fazia, os maneirismos, gestos estudados, para que ninguém percebesse, inclusive você, como eu estava fascinada, como eu estava prestes a me entregar. Tão ridícula, eu me achava. Tinha a necessidade de ficar regularmente colocando fichas de realidade (caindo na real) para não cair de vez na tentação. Então eu me entupia de realidade, colocava quilos, toneladas de convenções, sob o verniz da educação."
"Fincava os pés e as mãos no chão. Apegava-me com todas as forças à terra firme. Você ao contrário, viajava, voava... Quanta imaginação!!! Quantos sonhos!!! Um verdadeiro tour de force."
fragmento da peça Cenas de Oscar Kiyomitsu Kamesu


Leia este blog no seu celular