Pensou em todos os passados e presentes enquanto se dirigia
ao encontro marcado. Passados e presentes em postos em fôrmas como
massinha de moldar.
E como quem masca chicletes ele foi mascando pensamentos.
tempo... substância corrosiva,
tempo ...lembranças fugazes, (do que mesmo se trata minha ida ao encontro marcado?).
tempo... conjugado no passado
tempo... fluxo da mente, substância aquosa...
tempo a criar lacunas...
lacunas a criar abismos.
Pensou em variações possíveis, em todos os quase infinitos efêmeros pra tornar o casual e acidental em necessário.
Mas quando ele tocasse a campainha e uma figura surgisse à sua frente, provavelmente ele não a veria, somente ao tempo.
É um reencontro! Procurou manter a sua mente focada
no ideal de reencontro celebratório de uma antiga amizade.
O reencontro que obrigatoriamente, tal como um ritual, também seria a revisão
de tudo que passaram e quem sabe um acordo que apontasse para algum tipo de futuro...
Então surgiu a idéia do eterno retorno, pálida como fantasmas longínquos, pálida como lembranças relegadas pela mente ativa.
Parou em frente ao portão da casa indicada e tocou a enferrujada campainha.
Eles prontamente se reconheceram. O mais velho discreto como sempre, imune à ação do tempo; ele ainda sofria de mínimos abalos sísmicos.
A casa simples, povoada de gatos tirados da rua e cachorros idem, fez com que, pela precariedade higiênica, ele tivesse de desviar das merdas espalhadas.
Ao fundo de um corredor ficava o dormitório alugado pelo mais velho.
A penúria do mais velho selava a completude do ciclo.
O eterno retorno se fez iluminado! A visão da completa trajetória de 360 graus compartilhou-se entre os dois!
A visão da casa idêntica à visão da pensão quando o mais velho há exatos 15 anos atrás
o chocou dizendo: "Esta é o local onde moro!"


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