Vou pegar um pensamento em troca de beber uma dose de cicuta. O pensamento alheio, o pensamento do outro. Ser outro quer dizer... expressar outros sentimentos e outros afins. Porque a minha essência é ser outro. Assim me desloco de planos. É como num sonho que me vejo como outra pessoa e no seguinte serei novamente outra, uma mulher talvez assesiada por um imbecil. Estou agora rumo a Polinésia; sequer tenho lembranças das imagens que vi em suplementos de turismo das paradisíacas praias. Acabei de avistar o arquipélago vindo da costa espanhola. Estou exausto, navegante solitário. Sei que o cenário é de papel, mas que fazer? Além disso sou um péssimo cenógrafo. Quem sabe se seguisse o conselho de Genet de resgatar as imagens do deserto...Paradoxal, para dizer o mínimo, Resgatar a imagem do mar no deserto. Paradoxal nem sempre é desconcertante. Aliás essa estória de atribuir o desconcertante a pensamentos paradoxais está ficando demasiado banal. Reconheço os limites de minha imaganação.


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