Pois..
A uma certa altura a conversa recaiu sobre o que não se vende. “Eu não estou à venda”, disse o cabeleireiro indignado com uma oferta que recebeu de um mal educado dono do estabelecimento concorrente havia lhe feito.
Do “não estar à venda” ao “o que eu não quero vender” oi uma conseqüência natural.
“O que eles não podem me tomar”, disse entusiasticamente o senhor, “é minha consciência, os meus pensamentos”. Qualquer pessoa de senso concordaria com essa afirmação, mas algo me incomodou, uma picada incomoda originada pelas palavras... “A consciência ninguém pode me comprar, ninguém pode me roubar”, acompanhado do dedo indicador fazendo zigues-zagues para garantir a ênfase na negação da venda. O dedo esmaeceu, a expressão enfática amarelou-se em minha memória, as palavras ganharam vivacidade e evocaram estranhos sentidos.
O teu bem maior, forjado pela tua personalidade desde os tempos em que mal conseguia pronunciar as palavras e se acomodava nos braços desajeitados de teu pai. O teu bem maior forjado no tempo adolescente, forjado pelo choque que o mundo te deu ao levar o primeiro fora da namoradinha adorada...

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