Cochichos e Relaxos


16/12/2004


Crônica de um Geraldo anunciado

Leio a seguinte notícia na Folha Ilustrada de 15/11/2004
Transcrevo os seguintes trechos

Acabou em aborrecimento uma brincadeira do dramaturgo Gerald Thomas com o apresentador
Marcelo Tas.
Thomas escreveu em seu blog que já teve um romance com Tas- que confirmou em sua página.

Os dois estavam mentindo.
"as pessoas não tem humor", reclama Thomas.
"A Internet virou uma coisa horrorosa, com um bando de anônimos de baixíssimo Q.I."[1]

Considerações iniciais:
Não li os comentários que fizeram no blog do Gerald, mas imagino-os.
A internet ao se "deselitizar", tornar-se mais democrática, parece-se cada vez mais
com a realidade, com a diversidade da rua. Ora, seu Gerald publicar na net não é a mesma coisa que publicar numa revista cultural ou eventualmente produzir artigos na Ilustrada.
É quase como se você fosse à rua e ficasse dando as suas opiniões.
Vai ouvir todo tipo de elogio,de critica, mas também de preconceitos. Alguns preconceitos resultados
do chauvinismo puro que polui nossa sociedade, outros por ignorância e por aí vamos:
perconceito sobre preconceito.
O público da net reflete em grande medida o caos nacional.
Deveria saber disso ao elaborar o blog.
deveria saber o básico do blog que, por ser escrito por uma
personalidade tão visível e polêmica como a sua, terá um pico enorme de visitas.
Visitas que irão, pelo menos alguma vez, fazer qualquer tipo de comentário.
Deveria saber que o público é mais amplo do que aquele de suplementos culturais, e
dos frequentadores de teatro e de ópera, e que o gosto musical das pessoas vai muito além de John Cage e Philip Glass, que aliás eu gosto muitíssimo.
Você está num grande cenário, num grande mercado, cercado por curiosos que alguma vez já ouviram falar do teu nome, em uma variado número de circunstâncias. Nem todas as circunstâncias
favoráveis a você. Difícil deimitar as fronteiras- numa sociedade de espetáculo como os sociológos franceses, com toda razão, adoram alardear- entre o que é protesto do que é mera promoção.
Provavelmente muitas pessoas só ouviram o teu nome quando abaixou a calça e mostrou a bunda no municipal do rio, ou quando, dirigindo um show da gal costa, sugeriu que ela mostrasse seus seios.
Protesto ou mera controvérsia oca e vazia?
Você também deveria saber que há um considerável contingente que te acha uma pessoa arrogante e/ ou
esnobe, porque escreve sobre uma vairedade de assuntos que vão de cosmologia a escolas de interpretação teatral;
de poesia concreta ao minimalismo nas artes plásticas,
porque faz referência à Nova York, ao Village, aos seus encontros com compositores, cineastas, etc.
E ainda atiça o seu batalhão anti-fã, com uma resposta nada "humilde", quando reclamam dos
equívocos e erros de português no seu blog. Ao invés de explicar o suposto equívoco, mais do que erro, Gerald
ataca de graça seus críticos. E ainda alardeia sobre o seu poliglotismo! Ah depois dessa tenha
a santíssima paciência seu Gerald!!!

Transcrevo o seguinte trecho do blog do Gerald:

Ah...quanto aqueles que reclamas dos meus "s" ou "z"....eu desafio voces a escreverem
nativamente a escrever em tempo real em ingles, em alemao e em portugues como eu escrevo.
"Go get a life!!!!" e tenham mais o que fazer, ou melhor. faser![2]

fontes
1. Ilustrada, Mônica Bergamo em nota cujo título é: "Teclado"
2. blog do Gerald, mensagem publicada em 03/11/2004, com o título de " a dialética e a estúpida idéia
de derrota e vitória.

Escrito por Jiló às 10h39
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12/12/2004


Esboço sobre um raciocínio tortuoso: Eu não me vendo! parte 4

Portanto, há um abismo entre vender e negociar. A nossa consciência “ esperta” administra ganhos e perdas, gerencia de forma mais eficaz possível a colcha de retalhos que vai se formando.

Imagino então minha personalidade costurando todos os retalhos até tudo se tornar amorfo, até não reconhecer mais o que é original do que é citação.

A propósito de citações, agarramo-nos a elas como bote salva-vidas. Alguém disse melhor o que queremos expressar, acusar, delatar, tornar evidente o que à primeira vista é apenas uma massa amorfa e indefinida.

O senhor não é um terço de todo esse lixo que infecta nosso ambiente. Ele apenas é perigosamente ingênuo de acreditar que mantinha uma consciência pura e límpida, e que controlava sua vida.      

 

Escrito por Jiló às 14h20
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Esboço sobre um raciocínio tortuoso: Eu não me vendo! parte3

...e o tempo passou, e a pele agora enrugada não te serve mais como âncora para sustentar a tua afirmação: outrora grito libertário. O tom elevado com o qual pronunciou: “A consciência é o meu bem e estou disposto a regateá-la por pequenas e grandes ninharias”.

Afinal não é dessa forma que se dá o trânsito, o fluxo entre a minha bela consciência e o mundo?

Você se vende pelo atrativo de uma roupa, pela ideologia barata exposta nas vitrines de livrarias perfumadas. A palavra justa e exata não é não se vender, poderíamos objetar. O correto é dizer: “negociamos com deus e o diabo, cedemos um tanto ao fascínio do consumo, outro tanto à busca pela religiosidade emancipada em orientalismos afins”.

Escrito por Jiló às 14h18
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