Eu só quero o meu RG para perder a minha identidade.
Eu só quero a minha trilha incompleta e perdida para recuperar o meu fôlego e me sentir em casa.
O carro eu dispenso: fuga linear entre dois pontos, visão retângular da realidade.
Andarilho sempre. Minha adorável visão panorâmica. Nesta e naquela vida, sob aquele imenso céu obliquamente estrelado, obliquamente em trevas.
Tenho todos os companheiros para seguir viagem. Joguei foras os livros, as sinas, os fins e os nãos.
Meus companheiros de viagem andarilha, agora silenciosos e discretos, me fazem o contraponto e a semelhança.
Eras, civilizações, ideologias, poesias furadas, abaixo-assinados inúteis, o andarilho deixa os seus rastros. Séculos, instante da história da humanindade no tempo perene do universo: Rosseau, Bashô, Kerouac e meu amigo caminhante inclemente sob o céu e sob a chuva.


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