Cochichos e Relaxos


29/08/2005


confissões

Antes de começar a narrativa, vou pôr as cartas na mesa, vou tentar esclarecer quais são as minhas reais intenções, pra que depois não reclamem, para que depois não me peçam explicações sobre a verdadeira intenção do autor com esse relato.

Eu queria descrever imparcialmente, queria descrever aquela rua encravada entre duas grandes avenidas paralelas da zona norte da city paulistana da forma mais objetiva possível. Vou descrever pessoas, o nome que darei a elas pouco me importa, pouco importa se num filme os nomes das mulheres são sempre nome de flores, pouco me importa se uma mendiga tem nome de santa ou um nome estranho. Não me peçam esse tipo de alusão! E já que vou descrever as pessoas e uma certa rua, elas serão sempre umas certas pessoas e umas certas ruas, quase injustificáveis e injustificadas em seus atos e escolhas. Elas simplesmente estão no mundo.

Mas, subjetivamente, queria colocar tudo às claras, mesmo que o ambiente seja noturno e soturno. Sinto o sopro de Céline que me impulsiona - ele que me perdoe - para descrever com certa ironia, desdém e acidez a rua que parece se afunilar até ser estrangulada num mínimo ponto. E na medida certa, a rua vai afunilando-se em meio a sons etéreos de buzinas de carros que passam ao largo e à margem de bares decadentes. Bem no meio da rua localiza-se o bar 24 horas.

Entre e não faça cerimônia. As mulheres preferem outros bares. Afinal aquele bar teve o chão semidestruído, corrosão do tempo, mais pó e fuligem, que se acumularam sistematicamente ao longo de anos.

Mas é tudo simples e honesto na aparência. Venha minha senhora, basta um pouco de coragem... Respire fundo e seja bem vinda ao bar 24 horas, que abre 12 horas e nas outras 12 dormita. 

Escrito por Jiló às 10h19
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