Comparei a vida a um imenso oceano cheio de ondas, grandes
e/ou pequenas. eu sou um barco pequeno, barco pesqueiro.
São as ondas que me assombram e me dão a sensação de medo constante.
Mas eu posso encarar as ondas perigosas e insunuantes com grandes doses de poesia.
Então a miséria torna-se parte da grandeza e vice-versa.
Eu me recolho em meu medo e nele encontro um abrigo seguro para
a minha existência. O barco continua cada vez mais instável. Eu forjo em
mim a dor. E paradoxalmente a dor, encarada como um fragmento de poesia, pode
enfim ser matéria da construção de minha fortaleza.


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