Cochichos e Relaxos


11/03/2006


Não sei

Eu não quero me conhecer, embora eu já esteja bastante perdido.
Estou cheio de significados que eu acho que tenho e que me acusam de ter,
eles trasnbordam do meu peito murcho e cardíaco.
O tempo passou por mim e ao largo com suas águas turbulentas.
Eu me sinto cansado pacas, como se fosse prenúncio do fim da viagem.
Tenho a pretensão de saber que nada me espera do outro lado e isso me tranquiliza.
Rasguei a bula do remédio miraculso para crise existêncial e as receitas nela contida:
"-mastigue trigo integral e cereais; faz bem à saúde
 -pratique cidadania consciente; faz bem à consciência"

Seja íntegro, reflexivo, lúcido e siga a sua dignificante trilha
parceiro, irmão e camarada.
Eu vou ficando por aqui. Eu vou ficando no meio da trilha, olhando o céu
sem mais nada a dizer.
Estou dividido e inteiro, lúcido e ludibriado.
Por mais que pense, a paralisia me atinge e as escolhas tornam-se vazias.

Que os policiais me prendam por vagabundagem, tranquem a cela e joguem a chave
fora. Não quero praticar a liberdade, quero que me indiquem a próxima estação
pro nada. E não me defenderei da acusação de não querer ser humano.
Sou bicho, sou fogo ardendo nos incêndios, sou a imensa energia que se perdeu
diante de tanta combustão.

Exercitar a razão me tornou gordo e flácido.
Exercitar o perdão me deixou anêmico e incapaz.
Não pratico o mal, mas como o sal e tomo sicuta que me corrói a alma.
Não cometo haraquiri, mas me deixo matar dia-a-dia; dieta praticada à risca.

Agora digo adeus sem mais.

Escrito por Jiló às 15h28
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil

Histórico