Cochichos e Relaxos


02/01/2008


Uma fuga

Uma fuga

eu sempre sonhei com uma estrada como essa.
a estrada que vai dar naquela cabana que ela recusou dividir comigo,
a estrada que vai dar na incompletude das curvas sinuosas,
a estrada que se precorre com vagar, lentamente, pé ante pé.  
percorrê-la até me perder por completo nas linhas sutis do horizonte.
horizonte que nunca se põe, assim como o sol nunca se põe,
assim como o sorriso dela nunca se põe.
ela que se recusou a dividir uma cabana comigo lá na linha do horizonte.  

Escrito por Jiló às 11h51
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30/12/2007


infinitas solidões

Em um fim de tarde, a cidade cultiva um silêncio inabitual. Daniel perambula pela ruas vazias da
cidade, véspera de ano novo, ano não bom. Tem o ar melancólico e carrega uma mochila
maltrapilha.
Daniel assentira a dor e a acolhera como se fosse um orgão do corpo: ora incômoda,
ora paciente, mas sempre a dor.
[daniel fora abandonado pela mulher. daniel rompera com o pai, daniel frustou-se
com a sua carreira, daniel fora traído pelo melhor amigo]
[daniel é um soro positivo existencial, daniel se amargura por qualquer coisa,
daniel remoe ódios o dia inteiro. por isso ele mergulhou em paraísos aritificais]

São infinitas as solidões. Um gato o encara na rua, que o acolhe após seraparar-se definitivamente de seu amor. um gato o olha com suas garras: felinos e felinas.
eu invento estórias sobre solidão, eu invento calçadas em becos escuros.
eu posso inventar outras situações, mas a solidão é a mesma.
a solidão te encara lúcida e felina, mordaz e sem dó.

Escrito por Jiló às 12h41
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