alguém distante e algum lugar distante, mas tão familiar, tão inevitavelmente próximo está sorrindo e sofrendo.
alguém neste momento e em momentos passados talvez peça socorro, mas evita qualquer ajuda.
alguém que se chama... fala com alguém que se chama... e ambos rimam solidão, sofrimento e solidão. rimas impossíveis de serem feitas.
alguém é como outro alguém qualquer, mas é como se fosse eu, e como se eu fosse ela. alguém é um espelho partido em mil pedaços e uma estória de vida construída em retalhos.
miseravelmente ele pensa nisso enquanto perambula pelas ruas, tentando medir a distância de sua queda, tentando medir os trapos que sobraram de sua carne, agora em brasa; tentando entender a sua alma incendiada.
Foi no fogo e a na confusão aconhegante do lar paterno dela que a combustão foi acesa. um primeiro olhar, torto, de viés, de soslaio, quase soando como uma desculpa.
eu, Daniel, estava sentado de forma espantosamente ereta na velha cadeira da moderna cozinha. a única velha cadeira que eu insistia em não jogar fora, na cozinha moderna, brilhando descompassada num tempo descompassado.
ela me olhou no silêncio e relutou, como que preparando o golpe: um direto, um jab? senti as suas narinas inquietas. ela me olhou no silêncio e mergulhou neles para poder chamar, escandalosamente, a minha atenção. A única forma de me chamar a atenção é mergulhar no silêncio e deixar que as coisas, todas as coisas repugnantes que ela projeta em mim venham á tona, boiem como lixos no tietê. só assim ela pode comerçar a dizer que...
eu era um incompetente.


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