Cochichos e Relaxos


10/05/2008


ressaca dolorida

cante um bolero, dance um tango

daqueles bem doloridos

e nada coloridos

beba um trago

um rum, ou um martini, ou um cinzano bem amargo

daqueles bem doloridos

engula-os como se fossem comprimidos...

no tempo...

no espaço...

na memória...

 

respire poesia

transpire melodia da melancolia

daquelas bem doloridas

silenciosas, breves e nada coloridas

Escrito por Jiló às 19h06
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04/05/2008


alguém distante 2

e ela disse na confusao que eu não tinha competência para nada, não tinha vontades nem desejos. eu respondi, sob forma de pergunta, acuado em meu canto: e o amor? e o nosso amor?. No entanto, já entrevia que no amor há canais subterrâneos, há esgotos a céu aberto. Ela rebateu: e que amor é esse que só traz chagas e pobreza?

E eu dei uma virada, um giro de 180 graus e disse: por que tanto channel, por que tanto versace e demais objetos fugazes?

No novelo de linha, no torvelinho quase rococó eu repito, como bordões gastos, que aquela cabana basta.

Você não tem desejos, ela diz. Não ter desejo é o maior pecado que pode ser concedido ao homem. Ela me acusa que por trás do meu silêncio esconde-se uma sabedoria oca e vazia. Oca, oca: cabeça oca.

Foi no quarto, ou na sala ou em algum outro canto da sala do pai dela que tudo começou a implodir sem aviso précio. Davi repetiu e mastigou algumas palavras incertas, palavras que ardiam como brasa: rancor,a margor, solidão.

Não entendia porque tinha de ser na casa do pai da agora ex-mulher de davi. Na casa do pai que morrera há pouco meses, na casa da mãe que sucumbira há anos de ostracismo, conformada com a coleção de amantes do marido, na casa do filho que nunca chegou a viver. Do filho .... 

Escrito por Jiló às 16h06
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