a cidade me engole em sua longa espiral como uma tarântula suga sua presa
a cidade com suas garras pontiagudas
a cidade são os prédios enormes, impessoais
a cidade são as pessoas que se encharcam de álcool
budistas e pastores messiânicos
te procuram para salvar a pobre alma...
a alma da cidade, onde habitam
habitam um amor, um dor, que se multiplica aos milhões
alguém berra em vão, sôfrego, quase sem fôlego:
esse alguém tem vontade de dar um tiro na minha garganta
só pra ver o sangue escorrer
o sangue da cidade
o sangue nosso da cidade nossa de cada dia
a cidade que te engole em sua grande espiral,
em seu insaciável apetite,
enquanto você se afoga em vodca e em sua felicidade aparente


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