Cena 1: uma mesa ao centro. Um velho homem manuseia penduricalhos. Ao fundo uma menina brinca.
Uma senhora anuncia o jantar. Eles comem em silêncio. Percebe-se que há uma cumplicidade entre o homem velho e a menina.
A senhora permanece em sua imobilidade facial: a severidade estampada no rosto, mas também conserva o ar de uma certa resignação.
Cena 2: a menina transformada em mulher ensaia um discurso para uma única pessoa: o homem velho que revela ser seu pai. (a revelação, claro, vai sendo feita ao longo do diálogo). é discurso de despedida.
Cena 3. A mulher fala sobre o pai com um amigo: retorno em suas memórias à infância. Ela revela imagens poéticas nua manhã silenciosa com o pai silencioso. O amigo pergunta por que ela não procura o pai. Silêncio.
Cena 4. A filha reencontra o pai. A mãe está ausente. De alguma forma a mãe sempre esteve ausente. Mas agora é uma ausência física, definitiva.
Há feridas abertas, a imagem do pai vai diminuindo, enquanto a imagem da mãe vai saindo das sombras e ganhando uma dimensão supranatural.


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