Cochichos e Relaxos


24/05/2009


As casas tristes

Era uma casa inutilmente triste.

 

Como se a tristeza fosse uma espécie de desperdício.

 

Uma casa onde impera o silêncio, obsequioso ao extremo.

 

Uma casa onde a alegria é contida. E solta como conta gotas.

 

Quando o sol penetra nesta casa, é como se fosse uma luz fria,

 

Imperceptível. Não aquece, não ilumina.

 

As plantas dessa casa são inflexíveis como as plantas de plástico.

 

A menina que habita a casa olha pela janela.

 

Atravessa, com a imaginação, fronteiras, mundos e enfrenta furacões.

 

Entra com receio em outra casa, onde impera a alegria.

 

Alegria que ela vê com olhos tristes.

 

Não há alegria na casa de sua amiga.

 

Há apenas murmúrios, sorrisos. Sorrisos que começam tímidos e terminam

 

em gargalhadas.

 

As gargalhadas que ela nunca pode dar em sua casa.

 

A inútil tristeza na casa onde impera a alegria.

Escrito por Jiló às 11h46
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