Era uma casa inutilmente triste.
Como se a tristeza fosse uma espécie de desperdício.
Uma casa onde impera o silêncio, obsequioso ao extremo.
Uma casa onde a alegria é contida. E solta como conta gotas.
Quando o sol penetra nesta casa, é como se fosse uma luz fria,
Imperceptível. Não aquece, não ilumina.
As plantas dessa casa são inflexíveis como as plantas de plástico.
A menina que habita a casa olha pela janela.
Atravessa, com a imaginação, fronteiras, mundos e enfrenta furacões.
Entra com receio em outra casa, onde impera a alegria.
Alegria que ela vê com olhos tristes.
Não há alegria na casa de sua amiga.
Há apenas murmúrios, sorrisos. Sorrisos que começam tímidos e terminam
em gargalhadas.
As gargalhadas que ela nunca pode dar em sua casa.
A inútil tristeza na casa onde impera a alegria.


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