Ele ruma em direção à casa e sabe que vai errar, que vai se desviar porque no fundo não vai encontrar o caminho. sabe que vai se perder pelas sinuosidades das esquinas, das ruas que fazem curvas improváveis e que continuam depois de uma ponte mal construída. E ele vai acabar se perdendo de propósito em alguma rua sem saída.
A cidade está calma, cálida e estranhamente perfeita, engarrafada dentro de um grande vasilhame, embrulhada em papel celofane.
A cidade asséptica, outrora maldita. Os gritos foram abafados, as solidões sufocadas, mas é por isso que ele reage e se move nos espaços das ruas onde parecem que as facas são riscadas contra o concreto, onde a fricção das fagulhas parecem produzir alguma forma de vida e de morte.
Ele sabe que vai errar por horas a fio. Ele tem dúvidas se a cidade o engolirá em seus arranha-céus e noites sem estrelas antes que alcansse a casa desfeita. Ele tem dúvidas se deseja ser engolido pelo concreto, a terra abrindo-se, engolindo-o...


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