A casa está vazia, silenciosa. Ele está sentado na cadeira, como se tivesse acabado de tentar agarrar fantasmas. Há penumbras, luzes somente as da rua. Há sombras, todas elas confusas, semi delineadas. As sombras se confundem como as imagens em sua mente: um moça bonita com olhar desbotado, uma antiga foto de um garoto com rosto ovalado, um rosto de homem sem definição precisa.
Ele respira calmo e solicito ao ritmo de sua vaga sombra. Ajeita a sua roupa: alguém acabou de gritar "ação"; alguém acabou de berrar para ele parar. Parar com o que? Parar com a maquina do tempo, parar com a polaroide antiga que tira fotos instântaneas? Alguém disse para ele recuar e refazer a cena, alguém lhe martela na cabeça para que pare e retroceda a cena.
Ele respira, pode sentir todos os seus músculos como quem se exercitou depois de longo tempo e agora tem o corpo dolorido.
Liga a televisão, Harrison Ford está sendo assassinado por uma serra elétrica empunhada por Kevin Wayne, mistura de comboy e vampiro assasino.
ele saca a seerra elétrica e em segundos estraçalha Harrison Ford, a mocinha grita e o sangue de seu amadp respinga em seu vestido imaculado.
Mas ela tem algo estranho, uma expressão perversa. O marido ri, a mocinha se parece com a sua ex-esposa. Não pode deixar de notar a perversidade em seu rosto. Ela toma a serra elétrica das mãos de Kevin Wayne e o estraçalha com requintes de crueldade. Ele assite empapado em sangue, suor. Ele ri de si, de Kevin e Harrison... Ele ri de todos os parasitas da terra, de todos os enganos.
Depois adormece.


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